Enviado em 24/10/2025 - 16:45h, atualizada em 20/04/2026 - 16:51h
Categoria: Biodiversidade
Os predadores microscópicos da Mata Atlântica da Reserva Espinita
Uma investigação revela a diversidade invisível de ácaros predadores que sustenta o equilíbrio ecológico da floresta.

A partir dessas folhas, cientistas investigam um universo microscópico de predadores que desempenham papel fundamental no equilíbrio ecológico da Mata Atlântica.
Quando pensamos na biodiversidade da Mata Atlântica, geralmente imaginamos aves coloridas, mamíferos raros ou árvores centenárias. No entanto, uma parte essencial da vida na floresta é praticamente invisível a olho nu.

Entre esses organismos discretos estão os ácaros predadores, pequenos aracnídeos microscópicos que vivem sobre as folhas das plantas e desempenham papéis importantes no equilíbrio ecológico das florestas.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), com colaboração da Universidade Federal do Sul da Bahia e do Instituto Federal de Roraima, investigou a diversidade desses organismos na Reserva Espinita. As coletas de campo foram realizadas em julho de 2023, analisando ácaros associados às folhas de plantas nativas da Mata Atlântica, e contaram com apoio do José Lima, do Programa Arboretum.

Equipe de pesquisa em atividade na Reserva Espinita, realizando a coleta de amostras de plantas para o estudo da diversidade de ácaros.
Os resultados revelaram uma diversidade surpreendente. Ao todo, foram coletados 468 indivíduos de ácaros predadores, pertencentes à família Phytoseiidae, um grupo conhecido por se alimentar de pequenos artrópodes e outros ácaros que podem atacar plantas.

A espécie mais abundante encontrada foi Neoseiulus sp., possivelmente ainda não descrita pela ciência, o que indica que a biodiversidade microscópica da Mata Atlântica ainda guarda muitas descobertas.

Outra espécie, Amblyseius euterpes, chamou a atenção dos pesquisadores por aparecer em várias plantas diferentes, sugerindo um comportamento mais generalista, capaz de explorar diversos tipos de hospedeiros.

Cinco espécies de plantas da floresta foram investigadas no estudo:

• Pourouma velutina
• Cupania rugosa
• Protiumheptaphyllum
• Myrciagigantea
• Cordia superba

Entre elas, Cupania rugosa e Protiumheptaphyllum apresentaram a maior diversidade de ácaros predadores.

A pesquisadora Amanda Conceição dos Santos apresenta os resultados do estudo realizado na Reserva Espinita durante o CongresoLatinoamericano de Acarología, no Chile.
Os pesquisadores também analisaram as relações entre ácaros e plantas utilizando redes ecológicas, uma ferramenta científica que ajuda a entender como diferentes espécies se conectam dentro de um ecossistema. Essas análises mostraram que algumas espécies são altamente especializadas, enquanto outras interagem com várias plantas.

Apesar de quase invisíveis, esses pequenos predadores desempenham um papel importante na natureza. Ao se alimentarem de outros organismos microscópicos, eles ajudam a manter o equilíbrio das comunidades de artrópodes que vivem nas plantas, podendo inclusive atuar como controladores naturais de pragas.

A pesquisa foi apresentada em 2025 no V CongresoLatinoamericano de Acarología, realizado em Curicó, no Chile, contribuindo para ampliar o conhecimento científico sobre a biodiversidade da Mata Atlântica.

Estudos como esse mostram que a riqueza biológica da floresta não está apenas nos grandes animais ou nas árvores monumentais, mas também em um universo microscópico que sustenta o funcionamento dos ecossistemas.

Na Reserva Espinita, cada folha pode abrigar um pequeno mundo ainda em descoberta.
Enviado em 24/10/2025 - 16:45h, atualizada em 20/04/2026 - 16:51h
Categoria: Biodiversidade