Enviado em 09/06/2024 - 16:14h, atualizada em 20/04/2026 - 16:20h
Categoria: Biodiversidade
Fungo raro é registrado pela primeira vez na Reserva Espinita, no sul da Bahia
Estudo científico revela novas ocorrências de fungos da Mata Atlântica e reforça importância das áreas protegidas para a pesquisa sobre biodiversidade

Pesquisador da UESC, Cristiano Santana da Silva, durante as coletas de campo na Reserva Espinita, Igrapiúna-BA.
Pesquisadores registraram a ocorrência de um fungo pouco conhecido da ciência na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Espinita, localizada no município de Igrapiúna, no Baixo Sul da Bahia. A descoberta integra um estudo conduzido pelo micólogo da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Cristiano Santana da Silva e colaboradores sobre fungos da ordem Xylariales, publicado na revista científica Agrotrópica.

Durante expedições de campo realizadas em áreas preservadas da Mata Atlântica, os pesquisadores identificaram diferentes espécies de fungos associadas à madeira em decomposição. Entre elas está Kretzschmariamicropus, espécie registrada na Reserva Espinita em fevereiro de 2023.

Embora já fosse conhecida em outras regiões do mundo, a presença desse fungo na Bahia ainda era pouco documentada. O registro realizado na reserva ajuda a confirmar sua ocorrência no estado e contribui para ampliar o conhecimento sobre a diversidade de fungos da Mata Atlântica brasileira.

Os fungos desse grupo desempenham papel fundamental nos ecossistemas florestais. Muitos vivem sobre troncos e galhos mortos, onde atuam como decompositores que transformam madeira em nutrientes novamente disponíveis para o solo. Esse processo é essencial para manter o ciclo de vida da floresta.

Uma das amostras de fungos decompositores de madeira coletados na Reserva Espinita, no trabalho conduzido pela UESC.
Além do registro na Reserva Espinita, o estudo também documentou outras espécies raras de fungos em áreas protegidas da Bahia como a RPPN Serra do Teimoso e o Parque Estadual Serra do Conduru.

Segundo os autores, essas descobertas reforçam o papel das áreas protegidas na conservação da biodiversidade e no avanço do conhecimento científico. Ambientes preservados da Mata Atlântica continuam revelando espécies pouco conhecidas, especialmente entre grupos ainda pouco estudados, como os fungos.

Para os pesquisadores, ampliar os estudos sobre a chamada “funga” brasileira — o conjunto de espécies de fungos presentes no país — é fundamental para compreender melhor o funcionamento dos ecossistemas e sua biodiversidade.

A Reserva Espinita é uma área privada dedicada à conservação da Mata Atlântica e à pesquisa científica, integrando a rede de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) do Brasil.
Enviado em 09/06/2024 - 16:14h, atualizada em 20/04/2026 - 16:20h
Categoria: Biodiversidade