Estudo científico revela novas ocorrências de fungos da Mata Atlântica e reforça importância das áreas protegidas para a pesquisa sobre biodiversidade
Pesquisador da UESC, Cristiano Santana da Silva, durante as coletas de campo na Reserva Espinita, Igrapiúna-BA.
Pesquisadores registraram a ocorrência de um fungo pouco conhecido da ciência na
Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Espinita, localizada no município de Igrapiúna, no Baixo Sul da Bahia. A descoberta integra um estudo conduzido pelo micólogo da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC),
Cristiano Santana da Silva e colaboradores sobre fungos da ordem
Xylariales, publicado na revista científica
Agrotrópica.
Durante expedições de campo realizadas em áreas preservadas da Mata Atlântica, os pesquisadores identificaram diferentes espécies de fungos associadas à madeira em decomposição. Entre elas está
Kretzschmariamicropus, espécie registrada na Reserva Espinita em fevereiro de 2023.
Embora já fosse conhecida em outras regiões do mundo, a presença desse fungo na Bahia ainda era pouco documentada. O registro realizado na reserva ajuda a confirmar sua ocorrência no estado e contribui para ampliar o conhecimento sobre a diversidade de fungos da Mata Atlântica brasileira.
Os fungos desse grupo desempenham papel fundamental nos ecossistemas florestais. Muitos vivem sobre troncos e galhos mortos, onde atuam como decompositores que transformam madeira em nutrientes novamente disponíveis para o solo. Esse processo é essencial para manter o ciclo de vida da floresta.
Uma das amostras de fungos decompositores de madeira coletados na Reserva Espinita, no trabalho conduzido pela UESC.
Além do registro na Reserva Espinita, o estudo também documentou outras espécies raras de fungos em áreas protegidas da Bahia como a RPPN Serra do Teimoso e o Parque Estadual Serra do Conduru.
Segundo os autores, essas descobertas reforçam o papel das áreas protegidas na conservação da biodiversidade e no avanço do conhecimento científico. Ambientes preservados da Mata Atlântica continuam revelando espécies pouco conhecidas, especialmente entre grupos ainda pouco estudados, como os fungos.
Para os pesquisadores, ampliar os estudos sobre a chamada “funga” brasileira — o conjunto de espécies de fungos presentes no país — é fundamental para compreender melhor o funcionamento dos ecossistemas e sua biodiversidade.
A Reserva Espinita é uma área privada dedicada à conservação da Mata Atlântica e à pesquisa científica, integrando a rede de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) do Brasil.