Enviado em 08/11/2024 - 02:09h, atualizada em 19/12/2025 - 02:40h
Categoria: Biodiversidade
Projetos tentam frear ameaças a fauna e flora Iniciativas no Brasil monitoram onça
Iniciativas no Brasil monitoram onças, botos e lobos-guará em biomas como o Pantanal, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica.

Onça-parda fotografada em Petrolina (PE), em 2016, pelo Programa Amigos da Onça — Foto: Divulgação
A queda acelerada das populações de animais silvestres tem mobilizado projetos de pesquisa e conservação em diferentes regiões do Brasil. De acordo com o relatório Planeta Vivo 2024, divulgado pelo World Wildlife Fund (WWF), o tamanho médio das populações de vida selvagem no mundo diminuiu 73% entre 1970 e 2020, cenário que reforça a urgência de iniciativas voltadas à proteção de espécies ameaçadas em biomas como Pantanal, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica.

No Pantanal, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) desenvolve desde 2016 ações de pesquisa, monitoramento e educação ambiental, com destaque para o projeto Felinos Pantaneiros, voltado à conservação da onça-pintada. Entre as principais frentes de trabalho está o monitoramento de um trecho da BR-262, onde atropelamentos já resultaram na morte de 17 onças-pintadas entre 2016 e 2023. Estudos com armadilhas fotográficas identificaram o uso de passagens pela fauna, incluindo onças, antas e cervos, indicando a necessidade de adaptações para reduzir os impactos da rodovia. Apesar dos avanços, o projeto enfrenta restrições orçamentárias e depende de parcerias para ampliar a área monitorada.

Na Caatinga, o programa Amigos da Onça, vinculado ao Instituto Pró-Carnívoros, atua desde 2012 na conservação da onça-pintada e da onça-parda. O foco está na redução dos conflitos entre felinos e comunidades rurais, onde a caça por retaliação representa uma das principais ameaças às espécies. Por meio de palestras educativas, monitoramento por telemetria e construção de currais anti-predação, o projeto conseguiu reduzir as perdas de rebanhos e, consequentemente, a perseguição aos animais.

Já na Mata Atlântica, o Projeto Boto-Cinza, conduzido pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), monitora desde a década de 1990 uma população estimada em 400 indivíduos no litoral sul de São Paulo. A iniciativa conta com patrocínio da Petrobras e ganhou reforço institucional em 2021, quando o boto-cinza passou a ser reconhecido como patrimônio natural e símbolo do município de Cananéia, ampliando as ações de conservação para além da pesquisa científica.

No Cerrado, o Parque Vida Cerrado desenvolve um programa de conservação do lobo-guará, baseado no monitoramento com câmeras e colares de GPS, além da reabilitação e soltura de animais. O envolvimento de fazendas e empresas do agronegócio tem sido decisivo para o sucesso da iniciativa, que já registra casos de reprodução de lobos reintroduzidos na natureza.

Em conjunto, os projetos evidenciam que a conservação da fauna depende da combinação entre pesquisa científica, educação ambiental, apoio financeiro e engajamento das comunidades locais. Diante do avanço da perda de biodiversidade, essas ações se tornam fundamentais para evitar a extinção de espécies emblemáticas da fauna brasileira.

Enviado em 08/11/2024 - 02:09h, atualizada em 19/12/2025 - 02:40h
Categoria: Biodiversidade